segunda-feira, 26 de junho de 2017

Dois quarteirões...

Ela pensa que será mais feliz se mudar de emprego. Ele pensa que será mais feliz se viajar para a Europa. Ela pensa que será mais feliz ao trocar de apartamento. Ele pensa que será mais feliz ao comprar seu carro. Ela pensa que será mais feliz com 3 kg a menos. Ele pensa que será mais feliz com 3 kg a mais. Ele pensa que será mais feliz se dormir com outra. Ela pensa que será mais feliz se não dormir com mais ninguém. Ele pensa que será mais feliz se acordar mais cedo. Ela pensa que será mais feliz se dormir até tarde. Ele pensa que será mais feliz depois de concluir seu curso. Ela pensa que será mais feliz se pular domingos. Ele pensa que será mais feliz ao chegar na festa. Ela pensa que será mais feliz ao chegar nas férias. Ele pensa que será mais feliz se beber demais. Ela pensa que será mais feliz se amar de menos. Ele pensa que será mais feliz se se jogar. Ela pensa que será mais feliz se se poupar. Eles pensam que serão melhores além do que são. Eles sentem que serão melhores para além do que tem. Ela quer mudar seu futuro sem passar pelo presente. Ele quer mudar seu presente adiando-se para o futuro. E vice versa.

E o que eles querem é um futuro a dois quarteirões de distância com o amor os esperando na esquina.

domingo, 25 de junho de 2017

Amada...

Era uma vez menina que amava a tristeza tanto e muito e mais e sempre que até os medos sentiam invejas. Apaixonou-se cedo, quando as perdas passaram a visitá-la em sua casa desde as primeiras idades. O lar que lhe escolheu o destino tornou-se decorado de ausências sentidas nos abandonos da sorte e dos seus próprios pais. Ainda criança, prendou-se com camaleões e borboletas nos ofícios sagrados da transformação, fazendo das diminutas mentiras semeadas, as imensas ilusões de colheita, enfeitando janela com que olhava seus solitários desamanhãs. Admiradora das profundidades que a dor lhe causava, graduou-se em precipícios, entregando suas asas para brechó do nunca. Ouviu estórias dos espinhos que lhe diziam na vida não haver sido convidada para florescer. Assim, convenceu a si ser terra infértil das razões para existir. Deslembrou-se do vento e da sua própria voz, abandonando os dias para carregar as noites. E quando distraída se despiu a visitar beirada de rio, algo se repentinou. A Lua por ela brilhou redondamente enamorada, a lhe dedicar iluminâncias e silenciosa companhia. Como presente aos grandes olhos da menina, acendia Lua incontáveis vaga-lumes. Revelando amor sempre crescente, convidava às pertezas dos caminhos a fala dos grilos, o canto da cigarra e a rouca voz das esquecidas esperanças de coração atontado. Adormecia então aos cadinhos, tristezas minguantes. No encanto das noites, Lua contemplou menina florescer mulher e pela primeira vez, tocou seu desnudo corpo, no prateado reflexo das fundas águas que correm no rio do tempo. Do amor feito em seu ventre, nasciam as primeiras estrelas que se ouviu falar, a guiar do infinito o destino dos homens e realizar desejos dos que entre nós ainda sonham. Quanto de céu pode habitar uma só mulher? Não se sabe ao certo. Só saberá aquela que um dia da janela no amor amanhecer.

(Texto do meu primeiro livro: "A Ilha de um homem só" publicado pela Ed. Penalux)
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. "Dar vida aos mortos é obra para infinitos deuses. Ressuscitar um vivo: um só amor cumpre o milagre." (Mia Couto)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Ponteiros...

Denuncio-me exatamente no que oculto. O amor deixou no lugar sua própria interrupção. Assim continuo: pelas beiradas da memória, no vazio do peito, no núcleo insuportável das saudades, na negação do que sou pelo que deixei de ser. O inferno era o único habitat que sabíamos. O veneno, o alimento a partilhar. Permiti morrer ao máximo, ao despir-me do amor próprio, da lucidez, do equilíbrio para que você coubesse em mim. Agora, exijo da vida reparação pelo sacrifício. Exijo ao nada que me espreita o ressarcimento pela loucura que me fragmentou. Denuncio-me exatamente no que oculto. As angústias são tudo o que sobrou. Os sonhos ruins. Os fantasmas. A terapia. A raiva. Os medos. O seu nome a coroar o que não se perdoa. Isto porque insisto em permanecer nas feridas abertas pela violência a que nos destinamos. Porque a atualizo nos meus sintomas para celebrar o amor e ainda mais a tolice. Convoco-me a continuar o que se acabou. Denuncio-me exatamente no que oculto. E repito diariamente minha incompetência para dissolver os nós que me atam ao passado. Os nós que ressoam no corpo, na paz e no tempo.

Os ponteiros passaram, mas você não passou.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Abstração...

Não cabe julgarmos o presente do escritor pelo que ele escreve, pois poderemos olhar para o seu passado, para o futuro, para o possível ou para os seus sonhos. E não saberemos se estamos a olhar seus atuais tempos verbais, sua própria imagem ou a nossa própria projeção.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Esquina...

O que ela queria era
um futuro a dois quarteirões
de distância com o seu amor
a esperando na esquina.

terça-feira, 20 de junho de 2017

A outra preta...

Disseram-me os espíritos que me cuidasse. Uma preta velha num terreiro, semanas atrás. Ontem, o recado dado no bar por um amigo através de sua mãe. A cerveja diluiu o impacto pela repetição do aviso. A luz que atravessou a janela do quarto hoje pela manhã trouxe de volta a preocupação. Cuidar-me como? Poderia adoecer, perder o emprego, um dos pais, o amor da minha vida, ser despejado. A lista seria infindável caso fizesse uma. O que gostariam que soubesse? Não penso que receberia uma notícia fatalista sem chances de alterar minha rota de colisão com o que quer que fosse. De nada serviriam as previsões e os profetas senão para angustiar-nos diante do inevitável. Deus seria um sádico a adiantar-nos inescapáveis capítulos. Ou fosse exatamente isto, mas um convite oferecido, não por um Deus de humor duvidoso, e sim por estrita compaixão. O convite estaria um pouco além dos avisos e notícias. Um convite de nitidez apagada pelo medo e pela ansiedade. O convite seria a entrega. A prescrição dos mensageiros seria para que venha a me cuidar pelo cultivo da fé. O conselho dado revela-se maior: aceitar o vento e as marés; perder a tolice de querer controlar o que não me é possível; compreender que as tempestades são passageiras e manter-me no equilíbrio diante dos fatos.

A preta velha disse-me o que dizia minha outra preta velha, minha avó: aquilo que não tem remédio, meu filho, remediado está.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Mordaça...

O medo era cotidiano; impresso nos pequenos gestos; infiltrado em triviais diálogos. Sua presença era tolerada e visível apenas por mim, já que os outros se ocupavam com seus próprios temores. Não lembro quando me viciei no medo, como um lugar a que sempre recorri entre minhas metades. O medo era a ausência do amor como uma carta de abandono deixada em cima da mesa. O inequívoco sinal da minha incompetência para ser e estar. Mordaça a impedir-me de ouvir as esperanças. O medo nutriu-se do tempo e dos amores que não vingaram. O vazio a preencher-me o peito. O peito a denunciar-me triste. A tristeza a revelar o medo. O medo era cotidiano, como todas as outras coisas. Uma covardia, a levar-me para longe sem permitir o amor poder assim me reencontrar.

domingo, 18 de junho de 2017

Padecimento...

Padeço por aquilo que já acabou. Anuncio discretamente as saudades. Denuncio meus medos. Revisito tristezas. Reincido nos erros. Prevejo o que nunca será. Sinto culpas de validade vencida. Calo silêncios a força. Enveneno os afetos. Ando em círculos, dou murro em pontas de faca, ouço o tédio das paredes. E me anulo de maneiras incríveis.

Reconheço corpos e memórias, diariamente.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Eclipses...

É preciso convocar os demônios às palavras. Como inquilinos das coisas tristes a soprar-nos o que ocultamos. Se os anjos iluminam os óbvios, os demônios incendeiam as verdades. Porque carregados de nuvens e vales morremos no meio do caminho para nós mesmos.

E o que enxergamos senão sempre debaixo dos eclipses?

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ele mesmo...

Abandonado aos excessos em razão do que lhe faltava; o sono entorpecido pelas repetições do que vivia, como própria defesa, doía-se para evitar doer; perdia-se para evitar perder-se. Sem previsões para as alturas, seu medo era de tornar-se menor do que ele mesmo. Contornava diariamente as exigências da angústia que lhe convocava ao nada. As paixões sendo a medida de todas as coisas tornou-lhe por isto um escravo. O vôo era sempre um raso a conceder breve anúncio das alturas. O álcool lhe era uma porta, o lsd lhe era janela, o sexo lhe era altar: nenhum a bastar por durar apenas um esquecimento, uma rápida excitação casual a torná-los interessantes, o alívio fortuito a dissolvê-lo no mundo implacável das coisas postas. O sonho sem sentido reproduzia a vida. O amor ausente o levava à beira da cama para o devido diálogo com as tristezas. Graduou-se nos silêncios e na solidão de casa. Adiava-se continuamente por não reconhecer quem seria caso viesse a encontrar-se

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Metade...

Ao longo dos caminhos, tornamo-nos metade. Metade para caber menos. Menos do sofrer, por certo, mas por infeliz (in)consequência, menos do viver e do amar. A metade nos acontece pela distância que criamos entre nós e o outro, entre nós e a própria vida. Quem se faz metade, anestesia-se para mais facilmente despedir o que o consome. Deixamos de sentir urgências em existir e pouco passa a nos devorar, a não ser nossa própria metade. Ignoramos as alturas do Amor, não mais sabendo a dor da queda, tampouco as nossas liberdades. (Não é pelo risco de cairmos no precipício que sabemos dos nossos voos?) Quem é metade, metade é para não se arriscar nos apuros de ser inteiro. Ser metade é sofrer menos, sendo menos feliz inclusive. Aquele que é metade garante não cair com a cara no chão nem trocar os pés pelas mãos, pois não sairá de casa, da casca, nem de si. Há quem escolheu ser metade porque um dia doou seu inteiro ao Amor que (se) partiu. Então não mais se permite, não se apega, não se queima e não se cura. Não morre, mas também não recomeça. Quantos de nós não escolhe morar neste conforto que faz a vida e o coração não pedir muito da gente? Aquilo que dói, facilmente se resolve. O amor, pela metade, abandona-se. O desejo, pela metade, engole-se. A possibilidade de fuga torna-se grande, nesta monótona linha reta sem os interessantes becos sem saída no labirinto das paixões. Dispensamos as riquezas dos encontros por não querermos lidar com os encargos que a vida junto nos cobra. E a única que sussurra entre os silêncios que instalamos à força em nossas marés é a tristeza que intui merecermos mais do que nos tornamos. Tornamo-nos hábeis em manter um pé atrás dentro da armadura emocional que construímos com o tempo que não aproveitamos em ressignificar nossas dores e seguirmos adiante. Encarcerados em nós, nada nos queimará infernalmente - nem deliciosamente - como antes. As asas não precisarão ser largas, e o mergulho nem tão profundo. Preenchendo-nos com vazios, focando trivialidades e fugazes prazeres, passamos às emoções em rodízio. Pela nossa fragilidade, queremos facilidades. Pelo nosso endurecimento, exigimos a qualquer custo a leveza. Assim, fugimos da responsabilidade de acolher o Amor com todas as suas sombras e deveres, porque o Amor nos convoca às inteirezas. O Amor rasga, mas também costura. Evitamos entrar e nos dedicarmos porque não queremos mais doer como um dia doemos. E o amadurecimento que deveria fazer nossa transição para dias melhores, não acontece porque resolvemos não despertar do sonho de ser semente. Quem sabe um dia lembremos que a beleza da flor aconteceu porque ela ousou ser cor entre as tormentas.

(Texto do meu livro "Teoria Geral do Desassossego", publicado pela Ed. Penalux)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Subtração...

A tristeza é uma subtração dos dias dentro de mim; uma anulação do tempo para sentir-me vivo. Viro o rosto para o que mora comigo ainda que diariamente beba daquilo que ignoro. Vejo-me cheio de razões para tudo mas que para nada me aliviam. Aconteço-me sem planejamentos, como uma insistência em manter-me cego e adiado.

O descaso da chuva é sempre para mim.

domingo, 11 de junho de 2017

Amorosa...

O amor pousa mais facilmente naqueles que se encontram inteiros, caso contrário e nos será difícil discernirmos o amor de uma amorosa ilusão.

sábado, 10 de junho de 2017

As palavras...

O calendário é uma mentira para as saudades mas uma verdade para o amor. Ou vice versa.
O café é o cheiro exato na ausência do cheiro dela. 
A tristeza é uma novela na qual quase morremos no final. 
A vida é uma coleção de despedidas que nem sempre se despedem de nós.
O óbvio é aquilo que quase nunca sabemos enxergar. 
A lua e as rosas sempre servirão para os poemas de quem procurar por um.
A salvação começa por nós mesmos. A ilusão será pensar de outro jeito.
Às vezes é preciso entrar para poder sair. Tem gente que quer sair antes de entrar.
O sol é um convite silencioso para as esperanças.
O lado que ignoramos é o que mais sabe de nós.
A escravidão pode ser muitas coisas que não nos parece escravidão. 
Temos facilidades para obedecer cores escuras no peito.
As palavras podem ser doçura ou espinho: depende de como amanhece o coração.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O espelho...

Os detalhes estão cheios de deus. As nuvens nos contemplam a enxergar em cada um de nós muitas coisas. Os frutos dão nome aos sabores. O amor retira-nos das palavras. O altar é o lado externo do peito. O tempo dá sentido ao relógio - não o contrário. E no contrário do que pensamos habita sempre uma outra antiga versão da verdade. Andamos por caminhos percorridos inaugurados pela dor. A covardia visita-nos logo depois. A dor varia conforme a vida. A vida calcula-se sempre um palmo a mais de distância do nariz. A vida é uma reunião de detalhes. Os detalhes estão cheios de deus. Atravessamos as idades ignorando por demais estes detalhes.

E os homens com o espelho se confundem. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Vício...

O homem insista em mais um copo. Era o oitavo, hoje. E era a terceira vez que voltava ao bar sozinho. Dispensou os amigos para se sentir à vontade. Dispensou-se mais cedo do trabalho para sentar no balcão e fixar seus olhos. E sorrir. E sorrir, apenas. A bebedeira o deixava envergonhado e atento o suficiente para não esbarrar na porção de amendoim. Bebia grandes goles para pedir mais uma. E outra. E outra. E isto por conta da mesma. A bartender do lugar. A paixão era seu único vício. 

Além do cigarro.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Culpa...

A culpa é o tormento insistente do erro: espiritual indigestão do tempo. O desajuste de uma máquina infeliz, rigorosa impermanência do amor próprio, a culpa é o amargor pelo perdão que a nós não oferecemos, tolice a deixar-nos ausentes para as generosidades. A culpa é uma afronta, uma atitude implacável do peito a vingar-se de si, xeque mate do mal estar. Um dizimar jardins por tornar-se cego. A alta conta pela infelicidade. Candeeiro apagado, protesto contínuo dos infernos, prostíbulo dos demônios, a culpa é o teimoso cobrador de um passado morto.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Notícia...

Parece-me haver um brilho intenso na tristeza que tantos de nós paramos para apreciá-la, seduzidos pelo tempo a tonar-se costume de diante dela permanecermos. A felicidade decreta-se como ilusório destino e coisa móvel, escapável de molduras e artifícios para prendê-la perto; apresentando-se discreta e volátil entre gostos e prazeres que não a fixam jamais no peito. A tristeza, por sua vez, denuncia esta facilidade para manter-se como companhia a diminuir um pouco de cada um.

A tristeza é como a notícia da casa a demolir-se onde já fomos felizes.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Dos afetos...

Sabia ela sobre tudo: cristais, florais, pirâmides, astrologia, radiestesia, tantra, runas, shiatsu, tarot, mandala, yoga, cabala, quiromancia, economia, anatomia, johrei, hermetismo, filosofia, búzios, teosofia, do-in, hebraico, física quântica, física clássica, xamanismo, umbanda, quimbanda, teatro, meditação, beatles, reiki, sânscrito, ovnis, plantas, mantras, yantras, shiva, vedanta, atlantes, lemurianos, cup cake e poesia.

Só não sabia sobre os afetos.
Só não sabia sobre si.

domingo, 4 de junho de 2017

Arma...

Sua arma para ferir o coração era a palavra. Trouxe consigo esta violência desde menino quando adoeceu de mundo por lhe faltar amor. Sobreviveu apesar disso. As cicatrizes silenciosas a moldar o seu destino inscreviam toda e cada vez na própria carne os traços da sua glória e suas tragédias. A palavra era o punhal que usava sobre o seu próprio reflexo a curar-se pela renúncia da ferida. Para depois do travessão, a mentira. Para além do ponto final, suas verdades.

sábado, 3 de junho de 2017

Nunca mais...

A lágrima. O gesto. O outro. O peito. O tempo. O final. Era a última conversa sobre a última tristeza a dois. A necessidade de salvar o coração. A negação. A rua cheia de gente e os dois. E o final. O desespero do amor para ressuscitar o peito. A negação. A insistência. As lágrimas. Os gestos. O outro. O peito. O silêncio. E a despedida. A negação. A despedida. A insistência. A negação. As lágrimas. O frio. O aniversário dela. Ontem. E nenhum abraço. Não mais. Nunca mais.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Abajur...

Estas palavras são para todos os teus amanhãs; para que te abrigues da tristeza esta que nos visita quando não ouvimos as verdades que o amor propõe. Estas palavras são para que me encontres nos próximos dias do restante das nossas vidas. Desde que te amo que não sou outra coisa senão teu próprio peito. Tu me deste a vida que um dia pensei perdida, e insistes a devolver-me o que nunca tive. Tu me inundas de luz e colore o que já resistiu ser cinza. E desde que te amo a poesia é tua porque és tu minha poesia. Não poderia continuar a escrever sem a tua cumplicidade nas entrelinhas. O amor tem o teu cheiro entre os lençóis. O teu amor é a página e o capítulo que abro para escrever desejos.

O amor é o abajur que apago para dormirmos juntos.